Post livre: #2 – veganizando em São Paulo e a minha alimentação de universitária

Me mudei definitivamente para São Paulo há cerca de duas semanas e, para acompanhar essa mudança, decidi me tornar vegana também. Eu já estava veganizando a minha dieta há muitos meses (ou seja, já não consumia mais com frequência alimentos derivados de animais, só raramente, quando “deslizava”) e a vida no interior me limitava de inúmeras maneiras. São Paulo, pelo contrário, viabilizou o veganismo para mim.

É incrível você pensar em sair para comer e vir à sua mente mais de três lugares veganos com opções deliciosas; ter uma pizzaria convencional com opções veganas a menos de 10 minutos da sua casa; achar coxinhas e salgados veganos congelados no supermercado próximo a você. Esse tipo de coisa é inimaginável em cidades pequenas como Cruzeiro, de onde eu vim. Isso não quer dizer, é claro, que uma pessoa do interior não possa se tornar vegana – mas é fato que ela precisará de um pouco mais de força de vontade (o que, assumo, eu não tive).

O queijo era e continua sendo o meu ponto fraco, mas confesso que não senti falta alguma dele nesse tempo. Tive a oportunidade de apreciar tantas comidas veganas gostosas desde que pisei em São Paulo pela primeira vez que eu acho um crime alguém dizer (como já foi dito na grande mídia, mais especificamente na Folha de SP) que a culinária vegana não é prazerosa, que não dispõe de pratos realmente saborosos. E não pensem que estou gastando rios de dinheiro com isso: raras foram as vezes em que eu gastei mais que 25 reais em um rolê vegano (costumo a gastar uns 15…).

No dia a dia, para evitar maiores gastos e também por falta de tempo, tenho almoçado no bandejão da USP (para quem não sabe, bandejão é o restaurante universitário em que os alunos pagam R$1,90 pela refeição). O lado bom é que sempre tem arroz integral e feijão, além de proteína de soja para quem gosta. O lado ruim é que as opções de saladas são deprimentes – uma só, geralmente (exemplo: acabo almoçando arroz, feijão e acelga, ou arroz, feijão e alface…).

Para contornar esse problema, nas demais refeições do dia como frutas aos montes e uso vegetais verdes folhosos em sucos e batidas diversas. Couve com banana, couve com abacate e banana, couve com limão e hortelã, etc, etc, etc. Uma companheira bem bacana para me sustentar na restrição do glúten tem sido a batata doce, quando a fome aperta. Cozinho por pouco tempo, coloco um pouquinho de sal e azeite extravirgem e mando ver.

Aí você me pergunta: “mas não fica caro?” Então, até que não, mas claro que eu controlo gastos, evito industrializados (que são itens mais caros) e aproveito promoções no hortifruti, além de dar preferência para vegetais em suas épocas (fora de época eles ficam mais caros). Então, a cada mês, pesquiso as frutas, hortaliças e etc que estão abundantes naquele mês e procuro por elas no supermercado. Isso alivia demais o bolso.

Comparando com as minhas colegas de pensão, que são onívoras, os gastos que tenho com alimentação são quase os mesmos que os delas, e elas comem algumas bobagens com mais frequência. Ou seja, isso põe em xeque aquela história de que se alimentação vegana e saudável é cara, ou então inviável para universitários miojistas. Se você não souber como direcionar os seus gastos ela é, sim. Do contrário, sabendo administrar bem o seu dinheiro, é totalmente viável.

De um modo geral, estou me saindo bem e o veganismo tem sido mais fácil do que eu imaginei, inclusive bem prazeroso (engordei toneladas!). Fora que minha pele melhorou absurdamente com tantos vegetais na dieta e a retirada dos laticínios, o que é um incentivo a mais. Porém, sem sombra de dúvidas, os benefícios éticos, ambientais, nutricionais e sociais de optar pelo veganismo é a maior recompensa e me sinto mais completa com essa escolha.

Encerro a postagem mostrando o quão ruim tem sido a minha experiência:

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Sorvetes veganos de pitaya, abacaxi, chocolate, flocos e cupuaçu da Soroko (Rua Augusta, 305 – Consolação – São Paulo – SP)
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Lanche “Hamburguer do Cheff” do Prime Dog (Rua Vergueiro, 1960 – Vila Mariana – São Paulo – SP – pertinho do metrô Ana Rosa, saída pelo Terminal de Ônibus)
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Pizza metade catupisoy com alho poró e metade catupisoy com manjericão, tomate, brócolis e cebola (Rua Pirajussara, 460, Butantã – São Paulo. Fica a menos de 3 minutos do metrô Butantã)
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Esfiha de “calabresa” com vegarella do Sabor Mate (Rua Augusta, 1492 – Consolação – São Paulo – SP)
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Fogazza de pizza do Sabor Mate (Rua Augusta, 1492 – Consolação – São Paulo – SP)

Para acompanhar mais fotos do tipo, me siga no instagram: @nyleferrari.

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20 comentários sobre “Post livre: #2 – veganizando em São Paulo e a minha alimentação de universitária

  1. Que post legal!! Juro que eu sempre achei que a dieta vegana fosse caríssima! Achava inviável pra um estudante que fora sozinho.

  2. que *mora sozinho xD Outra coisa, pensava que veganos nao comiam no RU (aqui em Ctba agora fazem a guarniçao vegetariana e vegana, eu quase que só como elas, é bem mais gostosa que a opção de carne), nao sabia que dava pra suprir tudo só com vegetais e legumes!

    1. Eu como no RU mas como naquelas, né :/ Nao dá pra se nutrir só com o que tem lá, em casa do complemento com mais frutas e etc e atualmente só suplemento b12. beijoss

  3. Oi Nyle!
    Nossa, que legal saber disso!
    Imagino que SP facilite muito a vida com certeza! Eu até que eu me viro bem em São Carlos, é um interior mais aberto pra isso, ao meu ver. Aqui tem uns 3 restaurantes vegetarianos/naturais (com opções veganas), um bandejão com opções veganas super equilibradas (e com salada boa), soverterias com opções veganas e até uma pizzaria que usa mandiokejo (<3), dá pra viver, hahaha.

    Mas fico morrendo de amores pelas fotos que o pessoal que mora em SP posta, principalmente do primedog e da soroko.

    Beijos

  4. Nossa quanta delícia!!!
    Achei lindo você dizer dos benefícios éticos, ambientais e sociais proporcionados pelo veganismo. Até conhecer seu blog eu achava que não tinha problema consumir produtos de origem animal, como laticínios e ovos. Achava até um exagero a pessoa excluir tudo, já que isso não trazia problemas pro animal. Mas depois de descobrir a crueldade está presente até nisso, decidir abrir mão de coisas que eram muito “importantes” na minha vida, como tortas, chocolates ao leite, queijos, iogurtes, leite condensado, enfim. No início foi um choque muito grande ter de abrir mão disso tudo. A verdade é que até hoje não é fácil, mas ajo de acordo como que acredito e se isso contribui ou não, pelo menos sinto que estou fazendo, minimamente, minha parte na luta pela não sofrimento dos animais. É bastante motivador ver pessoas como você e lembrar que juntas fazemos, sim, alguma diferença.

    1. Que legal, fico muito feliz por sua postura. Mas saiba que mesmo no veganismo você consegue comer leite condensado, doces, tortas, sorvete, tudo que gosta! A dieta vegana pode ser muito saborosa também, aqui no blog vivo ensinando umas receitas bacanas nesse sentido. beijo!

  5. oi!
    Adorei seu blog, sou vegetariana e sei como è dificil encontrar lugares para comer! Vivia en Sao paulo e tbm tenho um blog, nele apresento aos chilenos e pessoas de outro pais onde ir a conhecer em sao paulo e principalmente opcoes vegetarianas e veganas.

    http://lyzbrazuca.blogspot.com/

    bjs

  6. Oi Nyle, parabéns pelo vestibular e muito sucesso nessa sua nova empreitada! Bem, apesar de eu não ser vegana, amo acompanhar a Sandra em suas idéias, aventuras e experiências culinárias (www.papacapimveg.com). Mesmo que vc já conheça o blog, vale a dica pra quem estiver pousando por aqui! Abraços e obrigada pelos posts!

  7. Nyle, no começo do seu vegetarianismo, você teve apoio das pessoas ao seu redor? Vejo o quanto é difícil fazer esse tipo de mudança na alimentação quando se está cercado por onívoros inflexíveis…

    1. No começo não fui aceita tão bem porque tinham medo que eu adoecesse, que seria só fase, mas depois que viram que era sério, que eu não corria nenhum risco, fui aceita. É claro que tem uns parentes que fazem piadinhas, mas não passou disso e eu soube ignorar bem hahah beijos

  8. Oii !!
    Virei vegetariana em dezembro de 2015 , moro em um bairro bem esquecido , bem interiorzinho do RJ , que não tem nada para quem é vegetariano/ veganos , não encontro apoio dos meus pais e familiares e nem dos meus patrões que as vezes me atrapalham bastante , comprando quentinhas todas cheio de molhos e carnes … Mas sigo avante , mesmo que as vezes façam piada ou que não entendam não me importo , sei que de algum modo faço alguma diferença ..

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