Por mais rigidez da PEA contra os testes em animais

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Confira a lista da PEA de marcas que não testam em animais

Quem acompanha o blog já ouviu falar, mas para quem não sabe: enquanto no exterior organizações com a PETA atuam em prol dos direitos do animais, no Brasil temos organizações como a PEA (Projeto Esperança Animal) com o mesmo objetivo. Ambas, inclusive, fornecem listas para que o consumidor possa consultar e se informar sobre marcas que fazem ou não testes em animais (a PETA fornece informações sobre marcas estrangeiras e a PEA, sobre marcas brasileiras).

Sobre a lista da PEA

doc pea
Documento que as empresas recebem da PEA e devem preencher e assinar para serem incluída na lista de marcas que não fazem testes em animais.

A lista da PEA de marcas que fazem testes em animais tem uma intenção excelente, que é levar ao conhecimento do consumidor as marcas cruelty-free e promovê-las por essa postura ética. No entanto, infelizmente, a proposta tem dois grandes pontos negativos:

  • A única garantia que a organização tem de que as empresas que assinam o documento se comprometendo a não realizar testes em animais (veja aqui o documento) irão cumprir com o compromisso firmado é o próprio documento. A PEA não faz auditorias, não há um controle enérgico sobre as empresas ou sobre os fornecedores dessas empresas – e é importante ressaltar que isso não ocorre por falta de interesse da PEA, de modo algum, mas sim por limitações financeiras e burocráticas das mais diversas da organização.
  • Não há nenhum item no documento que aborde a questão de testes em animais por parte de fornecedores, apenas a terceirização de testes (são coisas diferentes). Ou seja, as empresas não se comprometem em relação ao que os fornecedores fazem, se realizam testes em animais ou não.

Infelizmente, por conta disso, uma iniciativa muito bacana acaba sendo descreditada por empresas que não seguem à risca o compromisso ético que firmaram. Explico mais adiante.

Uma experiência com o Serviço de Aborrecimento do Consumidor 

As consequências dos pontos negativos citados acima são desastrosas. Digo porque ontem (13/11) estive entrando em contato com vários SACs por telefone e email e as respostas são desanimadoras. Alguns exemplos: através da Central de Atendimento da Davene (telefone), quando questionei a empresa se ela terceirizava os testes em animais, a resposta foi não. No entanto, quando questionei se os fornecedores realizam testes em animais e se a Davene teria algum controle sobre isso, a atendente me respondeu que a empresa não tem controle sobre isso e que é “praticamente impossível” (a despeito de dezenas de marcas sérias que eu conheço e que são extremamente rígidas nesse aspecto).

Em seguida perguntei, gentilmente, o motivo pelo qual a Davene teria optado por não testar em animais. A atendente me respondeu que pelo bem estar das pessoas e dos animais, pela ética. Acrescentei: “se a Davene se nega a fazer testes em animais por razões éticas, por que não age de forma ética pressionando e controlando todos os fornecedores de modo que nenhum animal seja testado?”. Depois de um breve silêncio, a pessoa me respondeu que isso ainda não faz parte da política da empresa e que vai encaminhar a “sugestão”.

Também por telefone, quando questionei a Niely sobre a terceirização de testes, a resposta foi não, mas ao tocar no assunto dos fornecedores, recebi uma resposta rude dizendo que o SAC só responde perguntas referentes à própria empresa e que o que os fornecedores fazem não é responsabilidade da Niely.

Como, pelo amor de Deus, não seria responsabilidade de uma marca o que os fornecedores fazem com a matéria prima, os ingredientes, embalagens ou qualquer item comercializado por ela? Como uma empresa preza pela ética e não se presta a ter controle de toda a cadeia produtiva de modo que nenhum animal seja explorado, um compromisso que ela mesma firmou?

Raras exceções, todas as respostas que tenho recebido principalmente por telefone (já que por email geralmente não respondem ou “respondem” sem responder o que foi pedido) das marcas são nesses estilos acima. Isso reflete que ou os atendentes não têm a mínima ideia do que se passa nas empresas, ou de fato as empresas não se preocupam em ter controle se os fornecedores testam ou não tem animais – o que é alarmante.

Necessidade de mudança

Já que a PEA não pode auditar as empresas com frequência e atuar energicamente no controle dos testes em animais feitos por elas, talvez seja oportuno o endurecimento das regras e exigências para incluir as empresas na lista cruelty-free.

Algumas sugestões para a PEA:

  • Exigir que, para entrar na lista, os fornecedores dessas empresas NÃO PODERÃO testar em animais os ingredientes, ativos, embalagens, enfim, o que for vendido pelo fornecedor à empresa.
  • Exigir uma documentação que comprove o que foi dito acima.
  • Exigir que a empresa tenha um controle sobre os fornecedores em relação aos testes em animais.
  • Estabelecer que, à luz de denúncias e suspeitas de testes em animais ou descumprimento do que foi estabelecido na documentação e nos critérios para incluir a empresa na lista da PEA, a empresa poderá ser retirada da mesma sem aviso prévio e só será incluída novamente se se esclarecer de forma consistente, por meio de documentação ou visitas da PEA à empresa e fornecedores se necessário.

Como os documentos são renovados anualmente, é importante que você mande um email à PEA sugerindo todas essas ideias (e mais outras, se você tiver), de preferência para entrarem em vigor em 2014. É importante que seu email não seja longo (para que o que você quer já fique bem evidente), seja educado e objetivo. Conto com a ajuda de todos e, para quem quiser escrever à PEA, o endereço é: pea@pea.org.br 

11 comentários sobre “Por mais rigidez da PEA contra os testes em animais

  1. Nyle, eu adoro os seus posts, mas pela primeira vez eu tenho ressalvas. Não podemos esquecer que a PEA é uma OSCIP e como tal existem diversas dificuldades inerentes, tanto na captação de recursos (humanos ou financeiros), quanto na força política completamente desproporcional a que as grandes empresas possuem. Claro que você faz muito bem em pressionar e sugerir, pois é assim mesmo que a gente progride, mas é bom deixar claro para os mais desavisados que se a PEA não conseguir atender no curto e nem no longo prazo, não significará meramente falta de vontade da instituição, e sim a existência de diversos obstáculos para se criar uma estrutura que seja tão abrangente a ponto de se chegar a uma lista como a do PETA, por exemplo. Afinal de contas, ter pessoas preparadas para fazer auditorias, preparar relatórios, monitorar e pressionar as empresas é algo que exige muito recurso e muita força política…

    1. Sim, Daniela, eu agradeço sua ressalva e digo que eu concordo com você. Eu não espero da PEA faça auditorias, eu sei que isso demanda recursos que infelizmente a empresa não tem no momento. Em nenhum momento eu disse que era por má vontade ou algo assim, se ficou parecendo isso realmente não é o que penso. Inclusive vou alterar o post pra deixar isso claro! beijos

  2. Olá, sou nova por aqui, meu primeiro comentário, cheguei ao blog pelo Papacapim.
    Eu trabalho numa empresa enorme e posso dizer: controlar o fornecedor é muito muito muito difícil. Mas também posso dizer: não é impossível. Na minha empresa qualquer contrato de qualquer natureza, por exemplo, exige que seus fornecedores não usem trabalho escravo e pedem provas que minimizem os riscos de que isto aconteça, além de eventualmente auditar amostras de fornecedores. As metodologias podem não ser perfeitas, mas estão aí para serem aperfeiçoadas. Até pouco tempo jurava-se que era impossível não testar em animais, que seria um risco e uma temeridade, hoje este argumento já está vencido. Basta um pouquinho de interesse que se encontram soluções.

    1. Sim, é verdade, controlar toda a cadeia produtiva não é fácil, mas também não é impossível. É, no mínimo, uma obrigação ética que toda empresa deve ter não só em relação à exploração animal como também em relação à exploração do meio ambiente e seres humanos. beijos

  3. Todos os esforcos que levem a fortalecer a causa da defesa dos direitos dos animais, sao bem vindas e validas! A forca das ideias e acoes produtivas tem mais que ser incentivadas! Vamos torcer tambem pela conscientizacao das informacoes eticas, bater na tecla … e bater na tecla! … ate que estas “Luzes” penetrem com tudo nas trevas da ganancia, ambicao desmedida e ignorancia! “Treinar” a mente das pessoas para refletirem, questionarem e efetuarem mudancas, de habitos mais justos e saudaveis! Vamos dar adeus as industrias da perversidade, tortura e morte de seres vivos indefesos. Que possuem rostos e sistema nervoso exatamente como nos humanos!

    1. moderação.

      Todos os esforcos que levem a fortalecer a causa da defesa dos direitos dos animais, sao bem vindas e validas! A forca das ideias e acoes produtivas tem mais que ser incentivadas! Vamos torcer tambem pela conscientizacao das informacoes eticas, bater na tecla … e bater na tecla! … ate que estas “Luzes” penetrem com tudo nas trevas da ganancia, ambicao desmedida e ignorancia! “Treinar” a mente das pessoas para refletirem, questionarem e efetuarem mudancas, de habitos mais justos e saudaveis! Lugar de seres vivos indefesos, que possuem rostos e sistema nervoso exatamente como nos humanos e na natureza!

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