Sobre o Instituto Royal e um documentários oportuno sobre o assunto

capital
Ativistas resgatando animais do Instituto Royal (Foto: Reprodução)

Provavelmente você viu que na semana passada (na madrugada de sexta, 18) o Instituto Royal, que conduzia testes em animais para cosméticos e medicamentos, foi invadido por ativistas com o objetivo de resgatar cães da raça Beagle que eram usados como cobaias, bem como alguns roedores e coelhos (leia mais aqui). Toda situação me emocionou bastante, e não foi só pelos animais – eu já defendo a causa há muito tempo e já vi documentários, fotos e vídeos suficientes para não me surpreender com a brutalidade da situação. Fico indignada, claramente, mas não surpresa.

O que me deixou realmente emocionada e me deixa toda vez que escrevo ou leio sobre isso foi ver a repercussão que o caso teve. Eu não imaginava que no Brasil uma manifestação a respeito da libertação animal pudesse ser endossada e apoiada por tantas pessoas. Muitas foram, da pior maneira possível (infelizmente), frente à crueldade e exploração animal expostas de maneira tão “crua”, levadas a repensar os seus atos, os cosméticos que usam, as marcas que dão apoio, o estilo de vida que seguem. Isso é incrível.

Apesar de tudo eu não posso deixar de refletir: será que se fossem só coelhos e roedores envolvidos, as pessoas se sensibilizariam da mesma forma? Eu temo que não. Mas a verdade é que toda essa história também serve de oportunidade para lembrar a todos que coelhos e roedores também são seres sencientes (assim como nós e os cachorros): sentem dor, medo, estresse, alegria – tem consciência, enfim. Usar roedores e coelhos para a experimentação animal é tão antiético quanto usar cães e gatos.

A mobilização contra o Instituto Royal, o desalienação das pessoas acerca dos testes, tudo isso foi apenas um passo. Ainda temos uma maratona: não adianta chorar ao ver cães e coelhos enjaulados, chafurdando na sujeira, com dores, tendo sua existência coisificada. Esses animais precisam muito mais que isso. Você pode contribuir, por exemplo, boicotando marcas que fazem testes em animais. Optar por uma boa alimentação na prevenção de doenças, fazer uso da medicina natural e evitar comprar remédios também é importante.

Alguns links podem te orientar:

Dó e indignação por si só não salvam animais. Atitudes conscientes sim.

Para inspirar um pouco mais (se é que o caso do Instituto Royal não inspirou suficientemente), dois documentários são bem oportunos. O primeiro é o documentário “Não Matarás” do Instituto Nina Rosa, que fala sobre experimentação animal. Tem algumas cenas fortes, mas a maior parte dele aborda a opinião de médicos, biólogos e ativistas em relação aos testes em animais. Confira:

 

20 comentários sobre “Sobre o Instituto Royal e um documentários oportuno sobre o assunto

  1. Nyle,

    Sou a favor da vida e liberdade de homens e animais.

    Também sou absolutamente contra a depredação, vandalismo e crimes ocorridos desnecessariamente no evento e que quase ninguém está comentando.

    Também penso sobre o que fazer com pesquisas sérias para curar de câncer, alzheimer, depressão e outras. Testar em humanos? Um portador de câncer sem tratamento pode morrer em semanas, não serve e não pode ser cobaia para testes de medicamentos.

    O que fazer? Salvar animais e deixar doentes morrer? Salvar Homens e usar animais em qulaquer teste? Não salvar ninguem? Salvar hons e animais? Desistir de pesquisas? Salvar homens e animais?

    Acho que o ocorrido deve mobilizar a sociedade para discutir seriamente:
    – (Não) Usar animais para testar comésticos e materiais de limpeza
    – (Sim, mas definindo como e quando) Usar animais para testar medicamentos sérios, cujo experimento em seres humanos seja impossível.
    – O que fazer com os animais que foram resgatados/sequestrados/roubados e abandonados nas ruas, tanto do Instituto Royal quanto de outros lugares.
    – Punição para quem abandona ou maltrata animais

    Um beijo,

    Bia

    1. Bia, os ativistas já tentavam, há muito tempo, conversar com os responsáveis pelo Instituto, tentaram o diálogo, tentaram negociações, mas foram ignorados. Essas pessoas invadiram o Instituto como uma solução drásticas, não fizeram isso “à toa”. Ou eles faziam isso ou, pelas notícias que estavam circulando, muitos cães iam ser sacrificados. O que é vandalismo? Invadir um Instituto e salvar mais de 200 vidas ou deixar 200 vidas no meio da sujeira, cocô, mijo, com dores. Foi uma medida drástica pra uma situação drástica. Não tinha outra saída, e não foi por falta de tentativa, os ativistas tentaram diálogo, tentaram de tudo. Eu sou a favor de “vandalismos” como esses. Quando você “destrói” ou invade algo pra prevenir ou de um vandalismo muito maior. Bom, essa a minha opinião, creio que você deva pensar diferente. São pontos de vista.

      E é verdade, esses assuntos precisam ser discutidos!

      Beijos

      1. Nyle,
        Vc realmente crê que aqueles cachorros viviam no meio de xixi, coco e sujeira? Nenhum cientista ou medico vai fazer pesquisa no meio disso. A sujeira que se viu foi provocada pelo fato dos funcionários terem sido proibidos de entrar dias antes e pela confusão. Tb pondero muito sobre a validade de atos de vandalismo baseados em “estão dizendo que os 170 cachorros vão morrer”. Já pensou se algumas pessoas resolvessem dizer repetidamente que vc e sua família estão maltratando animais e seus vizinhos resolverem invadir e depredar sua casa? Ademais, esqueceram de salvar os ratos de laboratório que ficaram lá! Ou seja, só os bonitinhos devem ser protegidos ? Para os ratos não houve piedade ou compaixão ! Penso que no meio disso devem existir pessoas de bom coração , boa índole, boa intensão, mas no calor da emoção e do sensacionismo muita gente irresponsável, impressionavel, aproveitadora. O MInisterio Publico estava investigando. Agora não há mais provas de supostos maus tratos e a licença do instituto foi mantida! Apenas anos de pesquisa e mapeamento genético foram destruído e /ou roubados! Adiantou? Outros beagles, ratos, coelhos virão! Vão invadir de novo? Qtas vezes? Vão instalar cercas eletrificadas para repelir invasores? Todos que estavam lá invadindo o instituto e roubando os cachorros, na vida privada matam baratas, mosquitos, ratos, morcegos, grilos que os incomode em casa ou no trabalho e a maioria come carne de boi, vaca, frango, cordeiro, coelho, búfalo, etc…. Ou seja, conforme sua conveniência , oportunidade e necessidade matam animais ou os protegem. E conveniência por conveniência , é preciso pensar seriamente nos testes em animais para remédios! Enfim, penso que não há nada como Dialogar Seriamente, Investigar , envolver órgãos públicos oficias nacionais e internacionais , TV, sociedade, cientistas, doentes. Queremos um mundo humano e civilizado, usando a força bruta e irracionalidade?

  2. Parabéns por seu trabalho, coragem e disposição!
    A admiro muito, assim como a todas que vestem um causa tão pura.

  3. Nyle estou lendo muita coisa a respeito , aos poucos vou aprendendo. LI que as marcas que nao testam usam produtos já testados , como aquele que vc mencionou phenoxyethanol nos produtos que dizem nao testam , pois esse foi testado já em animais ,,ai fica facil dizer nao testa foi o que li A NATURA diz nao testa ,mas usa pele de porco de graça de frigorificos , bem foi nessa linha que li …estou me informando …

    1. Sandrines, eu particularmente acho que se uma marca usa um ingrediente que já foi testado em animais algum dia, ela não deve receber o mérito por isso. Se ela não testou, mostra que ela tem princípios éticos. E se ela usa um ingrediente que um dia já foi testado, ela não tem nada a ver com isso. Eu posso, hoje, encontrar um ativo natural incrível, usá-lo nos meus produtos, e se de repente alguma empresa testá-lo em animais, a culpa certamente não será minha. Essas empresas estão contribuindo pra não perpetuar o mal dos testes em animais. Podem usar um ingrediente que um dia já foi testado em animais, mas ao não testar esse mesmo ingrediente em seus animais ou não testar quaisquer outros ingredientes em animais, ela está quebrando o círculo dessa prática e contribuindo pra difundir cosméticos livres de crueldade.

  4. “Empresas que alegam não testar em animais podem fazer o seguinte:

    A – Pagar para que outros laboratórios façam os testes; isto é, terceirizá-los;

    B – Fundar institutos de pesquisa. Não é a empresa que está fazendo os testes, é o instituto de pesquisa X…

    C – As matérias primas compradas podem ter sido previamente testadas em animais pelos fornecedores;

    D – Usar substâncias que já foram testadas pelos cientistas em alguma outra ocasião. TODAS as empresas que conheço e alegam não testar em animais fazem isso (caso D). NÃO HÁ EXCEÇÃO! 100% delas fazem isso!”
    http://easttowestskincare.com/2012/01/09/esclarecimentos-sobre-os-testes-em-animais-realizados-pela-industria-cosmetica/

    Essas coisas me deixam confusas, e sem saber bem como pensar. Qual sua opinião sobre?

    1. Camila, empresas SÉRIAS não fazem isso. O site não está totalmente incorreto não, tem muitas empresas por aí que fazem isso, tentam se esquivar, mas empresas realmente sérias e éticas não fazem isso.

  5. Ai, sabe que depois daqueles manifestos (quando a tarifa de onibus subiu) que deram em nada, eu fiquei meio descrente? O povo esquece muito rapido!
    Vi muita gente conhecida compartilhando imagens, dizendo que queria adotar os beagles, que isso era um absurdo, mas essas mesmas pessoas nao usam marcas cruelty-free, nao vao ate abrigos adotar cachorros e tenho ctz que só se sensibilizaram por serem beagles bonitinhos.
    Espero que meu pensamento(sobre a falta de mudança) esteja errado. hehe

    1. Larissa, pior que sempre tem uma galera que “esquece” que quer salvar as baleias lá nos cafundó mas é incapaz de adotar um cão. Mas olha, realmente muita gente reviu os seus conceitos, se informou sobre o assunto e está mais “ligada”. Isso é importante, nada foi em vão, tenha certeza.!

  6. Acho que a questão do beagles foi só a gota d’água. Mas essa repercussão toda serviu para conscientizar muitas pessoas que nunca tinham pensado no assunto. Foi plantada uma sementinha na consciência das pessoas. Acredito que a partir de agora muita coisa vai mudar, justamente por já existir muitas pessoas que lutam pela causa animal. Estou muito positiva em relação a isso!

  7. Oi Nyle…então…eu não tive a mesma visão otimista dos fatos que vc. Infelizmente vi mto mais pessoas criticando e ridicularizando o que aconteceu, do que apoiando e se conscientizando. Isso me deixa mto mal….aliás…esses assuntos sobre crueldade animal de um modo geral me abalam imensamente, e além do mais, não tenho grandes esperanças de mudança. Por esse motivo, tenho me afastado um pouco disso tudo (não deixo de agir como acho correto, claro!jamais consumirei marcas q fazem teste em animais, etc), mas tenho preferido me isolar desses assuntos por enquanto, pois sinto q eles tem afetado diretamente a minha vida, e essa dor q sinto não transforma, e nunca vai transformar as pessoas, uma vez que de um modo geral as pessoas não estão nem aí para os outros animais!

    1. Maiara, talvez as pessoas que você conhecem sejam mais resistente a isso, infelizmente. Mas com pessoas assim você tem que oferecer alternativas, porque se você tentar sensibilizá-las não vai adiantar muito, então tem que dar “mastigado”, sabe como? Acho que faz diferença. beijoss

  8. Eu sou veg, caminhando pro veganismo. Enfim, eu sou totalmente contra esse tipo de coisa: especismo = sexismo = racismo. Porque é crime testar em beagles, mas em ratos/coelhos, não? Porque comer o boi é normal e cachorro, é um absurdo? Cura do câncer? Me convença, todos os dias comemos venenos embalados e vivemos numa rotina da qual não é digna de se chamar de VIDA.
    Até tenho uns produtinhos aqui que testam em animais, comprei por pura ignorância e agora nem sei o que fazer com eles. Ah, e se alguém quiser, eu tenho listas e listas de produtos (vários tipos, até de limpeza) nacionais e internacionais que não testam e que testam em animais.
    PS: se puderem mandar e-mails pras empresas avisando que estão começando a boicotar por esse motivo, seria ótimo. Mas não se abalem com as respostas, são todas automáticas.
    Ps²: tive que dividir o vídeo em 987432847 partes para conseguir assistir tudo haha. Eu sei que é necessário ver, mas não é fácil. Parabéns pela iniciativa :))))

    1. Concordo com você, essas diferenciações são péssimas. E vale a pena mesmo mandar email pras empresas, porque perder cliente ninguém quer! beijos

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