Sobre os tipos de gordura saturada e a tal da redenção da gordura

Lembram que eu havia falado sobre a importância das gorduras na semana passada? Pois bem, uma questão que deixei em aberto para falar essa semana é sobre, mais especificamente, as gorduras saturadas. Por muito tempo ela foram vistas como vilãs (e, de certa forma, são até hoje), mas atualmente os cardiologistas estão “afrouxando as rédeas”: permitia-se que 7% das calorias diárias (baseadas em uma dieta de 2.000 calorias) pudessem ser provenientes de gordura saturada; hoje, essa porcentagem passou para 10%.

Antes, recomendava-se que 30% das calorias ingeridas (tomando como base uma dieta de 2.000 cal.) poderiam ser provenientes de gorduras: 12% de gordura monoinsaturada, 11% de gordura poliinsaturada e 7% de gordura saturada. Atualmente, a coisa mudou; 35% das calorias diárias podem ser proveniente de gorduras: 15% de gordura mono, 10% de poli e 10% de gordura saturada.

De acordo com a Revista Veja de junho desse ano (que traz a frase “A redenção da gordura” na capa), isso aconteceu por inúmeros fatores e um deles foi o aperfeiçoamento da classificação das gorduras saturadas. Por meio de estudos mais sofisticados e análises das estruturas dessas gorduras os cientistas descobriram que nem toda gordura saturada é maléfica para o organismo.

Basicamente, podemos encontrar quatro tipos de gordura saturada: láurica, mirística, palmítica e esteárica. A mais danosa para o organismo é a láurica (encontrada no óleo de coco, por exemplo). O consumo de 5% além do limite eleva os níveis de colesterol ruim em 10 miligramas por decilitro de sangue. Na prática, isso significa aumentar em 6% o risco de uma pessoa saudável sofrer um infarto.

Às adeptas do óleo de coco, fica o alerta: em excesso, a gordura láurica, encontrada em sua constituição, pode aumentar em 6% o risco de infarto.

A segunda mais perigosa é a mirística, encontrada no leite e seus derivados (isso não quer dizer, de maneira alguma, que você deve excluir esses alimentos da sua dieta. Apenas não abuse!). Em terceiro, a palmítica, da carne animal. A menos danosa das gorduras saturadas é a esteárica, encontrada no cacau. Segundo a Veja, em vez de se ligar ao colesterol ruim no fígado, ela é convertida em gordura insaturada (a “gordura do bem”), portanto não oferece tanto perigo.

Quem gosta de chocolate deve ter ficado feliz com a notícia, mas pera lá: o chocolate não é só feito de cacau. Ele tem açúcar, leite e outros ingredientes que não são tão saudáveis assim. Por isso, a melhor opção é (e eu já perdi a conta de quantas vezes falei aqui) consumir chocolate meio amargo (sem abusar, óbvio: um a três quadradinhos). De preferência, consuma amargo! Quanto maior a porcentagem de cacau, menor a de leite e açúcar, portanto mais saudável será o chocolate.

Dentre os óleos vegetais, indiscutivelmente, o azeite de oliva é o mais saudável: 75,5% de suas gorduras são monoinsaturadas, as mais benéficas para o organismo. Em segunda lugar, o óleo de canola: 62,6% de gordura mono.

Toda essa reviravolta em relação às gorduras serviu para que os profissionais da saúde percebessem que a demonização que a gordura sofreu nas últimas décadas fez com que as pessoas passassem a consumir mais alimentos ricos em carboidratos simples. O problema é que esses alimentos não seguram a fome, são paupérrimos em fibras, possuem baixo valor nutricional e quase sempre são ricos em açúcar/farinha refinada. Resultado? O número de obesos e diabéticos passou a crescer assustadoramente (nos EUA e no Brasil, triplicou).

Polêmicas à parte, o ponto mais importante da matéria é que o leitor perceba que nem toda gordura saturada é má, assim como o consumo de carboidratos em excesso pode ser tão danoso para o organismo quanto uma dieta “gordurosa”. Segundo o endocrinologista Antonio Carlos Nascimento à Veja, “Essa inversão [o aumento vertiginoso do consumo de carboidratos e o decréscimo do de gordura] foi a pior coisa que aconteceu na alimentação nos últimos cinquenta anos”.

Em meio dessa reviravolta no mundo da medicina, a melhor opção é consumir alimentos integrais, controlar a ingestão de carboidratos, evitar alimentos ricos em farinha/açúcar refinado, praticar atividades físicas (para evitar o sobrepeso) e tomar muito cuidado com o tipo de gordura que iremos consumir. O afrouxamento das restrições às gorduras saturadas deve ser acompanhado de toneladas de bom senso: isso não te dá carta branca para sair comendo qualquer coisa.

Tudo que é demais faz mal: o excesso de gordura saturada gera problemas como infarto, arteriosclerose, hipertensão. O de gordura poliinsaturada, por sua vez, pode resultar em infarto, arteriosclerose e linfoma. O excesso de gordura monoinsaturada pode levar à obesidade.

Agora, dando o meu puro e simples parecer sobre toda essa história, eu prefiro aumentar a quantidade de gordura monoinsaturada (sem abusar, óbvio), selecionar melhor o tipo de gordura saturada que eu vou ingerir (ou seja, fugir das mais perigosas) ao invés de aumentá-la e tomar cuidado com os carboidratos na minha dieta (e isso eu já faço).

Essa questão ainda é muito polêmica – inclusive entre cardiologistas e nutricionistas -, e a tal da “redenção da gordura” deve ser vista com olhar crítico e bastante bom senso. Quem quiser ler a matéria na íntegra, tem aqui.

2 comentários sobre “Sobre os tipos de gordura saturada e a tal da redenção da gordura

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